sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fernando Vianna, o diretor.




Fernando Vianna fundou com Sylvia Orthof em 1989 a Cia. Teatro Livro Aberto na cidade de Petrópolis, onde a escritora viveu os últimos anos de sua vida. Dividiu com ela os palcos pelo Brasil e exterior interpretando seus textos com o talento que aflorou desde muito cedo quando iniciou seus estudos em artes cênicas em 1982 com Ricardo Kozoswick e Caca Mourtè no teatro Divina, Jardim Botânico, Rio de Janeiro e no Tablado com Maria Clara Machado.
Passou pelo Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Brasília, Mato Grosso... com os espetáculos Cavalo Transparente, Ervilina e o Princês, A Folia dos Três Bois, Ponto de Tecer Poesia, Se as Coisas Fossem Mães e A Viagem de Um Barquinho.
Quando a o Livro Aberto completou 10 anos fez uma temporada de 2 meses pela Alemanha com a peça Ponto de Tecer Poesia.
Depois da morte de Sylvia Orthof, Fernando Vianna assumiu a direção da Companhia, fazendo montagens primorosas sempre respeitando a essência dos textos e propostas da escritora.
Em 2008 recebeu os prêmios de melhor espetáculo, melhor direção e melhor ator no FNTDC com a peça Se as Coisas Fossem Mães.
Hoje Fernando está em cartaz com Zé Vagão da Roda Fina e sua Mãe Leopoldina sob a direção de Fred Justen.

 





Alguns trabalhos de Fernando Vianna fora do Livro Aberto:


- “Woizek” de Georg Büchner. Direção de Ricardo Kososviki - Teatro Tablado - Rio.
                     
- “Cabaré Valentin” de Karl Valentin. Direção Henri Pagnotchelli - Teatro Monte Líbano
                  
- “História de Lenços e Ventos” de Illo  Klurg. Direção Kaique Botikay – Teatro Afonso Arinos.

- “A Rainha Alérgica de Teresa Flota”. Direção Henri Pagnochelli - Teatro Gláucio Gil – Rio

- "Navalha na Carne", de Plínio Marcos. Direção de Paulo Marcos de Carvalho – FITA (Festival Internacional de Teatro de Angra) entre outros.

- "Teatro a Bordo", texto e direção Bia Napolitane - Museu Imperial de Petrópolis.

- “Beata Maria do Egito” de Raquel de Queiroz - Direção de Antonio Flavio – vários.

Cinema – Curta- metragem “QUEM DISSE QUE SER MÃE É BRINCADEIRA” para a TV Cultura 2005, dirigido por Duda Vaismann. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Obra de Sylvia Orthof


Entrar numa história de Sylvia Orthof é encher os olhos de susto, mas não um susto de tremer perna ou bater queixo. O susto que as histórias de Sylvia dão na gente é carregado de perplexidade, arregalam a gente por dentro, dão largura no pensamento.
Ganhadora do Prêmio Jabuti, por A Vaca Mimosa e a Mosca Zenilda (1997), Sylvia quebrou tudo quanto é estereótipo na literatura infantil brasileira, com o seu texto desobediente, esmerado, abusado, feito de riso, provocação e arrepio. Afinal, a criatividade dela jamais coube em rótulos. Como ela mesma já disse, as histórias clássicas da literatura infantil sempre tiveram um ponto de vista muito machista. “Ninguém pergunta à Cinderela se ela quer casar com o príncipe. Cinderela casa com o príncipe porque ele tem dinheiro e poder. Ela se prostitui”, disse a autora. Mas, ao mesmo tempo, a autora defendia a leitura dos contos tradicionais, desde que houvesse uma reflexão. “Se Chapeuzinho Vermelho tem tanta força até hoje, é porque tem o seu valor. Só precisamos tomar cuidado para não apresentarmos essas histórias com uma mensagem moralista. Vamos discutir um pouco. Por que não podemos sair do caminho e procurar um atalho na vida? Será que em todo lugar há um lobo? E será que devemos ter tanto medo dos lobos?”, questionava.
Além de questionar velhos conceitos, Sylvia Orthof sempre vivia do modo como escrevia: espalhando encantamento por onde passava. Autora de um dos maiores clássicos da literatura infantil brasileira, Uxa, Ora Fada, Ora Bruxa (1985), que mostra, com estilo único, os dois lados de todos nós, Sylvia era apaixonada por jardins e flores. Aliás, a sua favorita era a Maria sem Vergonha. “Gosto muito dessa flor. Lá em casa, temos uma escada, no jardim. E as flores não quiseram nascer no canteiro. Não foram exatamente as marias, mas também são sem vergonha. Elas nasceram por entre as pedras do muro. Sempre assim. Nascem nos lugares mais impossíveis. Aí um rapaz queria cortá-las das pedras, mas eu reagi: - Não faça isso. Elas lutaram tanto por esse lugar”, disse Sylvia, numa entrevista. E acrescentou: “O jardim é uma coisa que precisa de atenção, como os livros. Mas não gosto daqueles jardins muito cuidados. Podados demais. As plantas, como as histórias, têm direito de espreguiçar onde quiserem”. E as histórias da Sylvia continuam espreguiçando, ou melhor, continuam despertando leitores de toda idade. 

(Quase) Tudo de Sylvia!! - Obras

Agir
- Vovó Viaja e Não Sai de Casa – 1994

Ática
- Tumebune, o Vaga-lume – 1995
- A Vaca Mimosa e a Mosca Zenilda – 1997
- Fada Cisco Quase Nada – 1997
- Avoada, a Sereia Voadora – 1997
- Pomba Colomba – 1998
- Maria Vai com as Outras – 1998
- A Limpeza de Teresa – 1998
- A Fraca Fracola Madame D’Angola – 1998
- As Visitas de Dona Zefa – 1998
- João Feijão – 1999

Atual
- A Poesia é uma Pulga – 1991
- Livro Aberto – 1996
- Quem Roubou Meu Futuro? – 2004
- Guardachuvando Doideiras – 2005

Braga
- Tem Minhoca no Caminho – 1995
- Canarinho, Cachorrão e a Tijela de Ração – 1996
- Mas que Bicho Lagarticho – 1996
- História Enroscada – 1997
- História Vira-lata – 1997
- História Avacalhada– 1997
- História Engatada – 1997

Ediouro
- Que Raio de História – 1994
- Mais-que-perfeita Adolescente – 1994
- Manual de Boas Maneiras das Fadas – 1995
- Fada Fofa em Paris – 1995
- Adolescente Poesia – 1996
- O Livro Que Ninguém Vai ler – 1997
- Fada Fofa e os Sete Anjinhos – 1997
- Fada Fofa e a Onça Fada – 1998

Ftd
- Uma Velha e Três Chapéus – 1986
- Jogando Conversa Fora – 1986
- A Gema do Ovo da Ema – 1988
- Ave Alegria! – 1989
- São Francisco Bem Te Vi – 1993
- Meus Vários Quinze Anos – 1995
- Tem Cachorro no Salame – 1996
- Tem Cavalo no Chilique – 1996
- Tem Graças no Botticelli – 1996
- O Cavalo Transparente – 1998
- O Sapato que Miava – 1998
- A Fada Sempre-viva e a Galinha-fada – 2000Formato
- Foi o Ovo? Uma Ova! – 1990
- Galo Galo Não Me Calo – 1992
- Ovos Nevados – 1997

Global
- Histórias Curtas e Birutas – 1997
- Ciranda de Anel e Céu – 1997
- A Décima Terceira Mordida – 1997
- Rei Preto de Ouro Preto – 2003
- Rabiscos e Rabanetes – 2005
- Um Pipi Choveu Aqui – 2005


- A Velhota Cambalhota – 1985
- Bóia Bóia Lambisgóia – 1995

Ao Livro Técnico
- Dona Noite Doidona – 1991
- Pé de Pato – 1991
- Dumonzito – 1991

Moderna
- A Viagem de um Barquinho – 2002

Nova Fronteira
- No Fundo do Fundo-fundo, Lá Vai o Tatu Raimundo – 1984
- Se as Coisas Fossem Mães – 1984
- Uxa, Ora Fada, Ora Bruxa – 1985
- Se a Memória Não Me Falha – 1987
- Nana Pestana – 1987
- Luana Adolescente, Lua Crescente – 1989
- Zoiúdo, o Monstrinho que Bebia Colírio – 1990
- Chora Não! – 1991
- Zé Vagão da Roda Fina e Sua Mãe Leopoldina – 1997
- Currupaco Coisa e Tal, Quero Ir para Portugal – 2002
- A Bruxa Fofim – 2002

Objetiva
- Contos de Estimação: mudanças no galinheiro, mudam as coisas por inteiro – 2003,
- Eu Chovo, Tu Choves, Ele Chove... – 2003

Paulinas
- Papai Bach Família e Fraldas – 1997
- Tia Carlota Tricota – 1998
- Tia Libória Contando História – 1998
- Tia Januária é Veterinária – 1998
- Tia Anacleta e Sua Dieta – 1998
- Quincas Plim, Foi Assim – 1998
- Cadê a Peruca do Mozart? – 1998
- Bagunça Total na Cidade Imperial – 1998
- Moqueca, a Vaca – 1999
- Vovô Bastião Vai Comendo Feijão: pequenas orações para sorrir – 2000
- Dragonice Diz que Disse – 2004

Paulus
- Doce Doce Quem Comeu Regalou-se – 1987

Quinteto
- Duas Histórias de Pernafina – 1985
- Sou Miloquinha, a Duende – 1988
- Malaquias – 1995
- Cordel Adolescente, ó Xente! – 1998

Record
- Papos de Anjo – 1987
- As Casas Que Fugiram de Casa – 2002
- Pererê na Pororoca – 2002
- As Malandragens de um Urubu – 2002

Salamandra
- As Aventuras da Família Repinica em Busca do Tesouro - 1984
- Sonhando Santos Dumont – 1997
- Os Bichos Que Tive – 2004

Scipione
- O Inspetor Geral (adaptação) – 1997

SM Edições
- A Fada Lá de Pasárgada e Cabidelim, o Doce Monstrinho – 2004

Vertente
- Você Viu? Você Ouviu? – 2004

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sylvia Orthof, a autora


Filha de austríacos, Sylvia Orthof nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de setembro de 1932. Depois de estudar teatro em Paris, passou a integrar o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia onde trabalhou ao lado de Cacilda Becker, Paulo Autran e outros.

Arquivo pessoal de Fernando Vianna

“O tempo deu voltas, voltinhas, empurrões, bofetadas, felicidades, lágrimas... O tempo é um rio, imagem pouco original. Só falta eu dizer que o tempo é um rio que corre pro mar... Ai, que horror de lugar comum...
Mas foi assim, através de um rio azul, de pano, um rio de faz de conta, na Viagem de Um Barquinho, que Ana Maria Machado pulou dentro da minha vida e virei escritora (dizem) de textos acriançados-adultentos.”



E Sylvia não parou mais de escrever. Foram mais de 140 obras publicadas.
Na Companhia Teatro Livro Aberto dirigiu oito de seus textos.
O Teatro de Sylvia Orthof leva o público a mergulhar no mundo do faz de conta ao criar uma relação de cumplicidade e afeição com os elementos dramáticos. Os textos exploram o imaginário e, por meio da poesia e da musicalidade, levam os espectadores à dimensão de magia.
A habilidade da autora em intervir positivamente na criatividade infanto-juvenil, estimulando a capacidade pensante do jovem a estabelecer relações com a realidade é, provavelmente, um dos motivos pelo qual Sylvia Orthof tornou-se sinônimo de teatro de qualidade, de reconhecimento pela crítica e uma das mais premiadas autoras.
Sylvia morreu no ano de1997 na cidade de Petrópolis - RJ onde residia.
Ensaios do Barquinho - Arquivo pessoal de Fernando Vianna
Arquivo pessoal de Fernando Vianna

Principais prêmios recebidos ao longo de sua carreira literária:
•  Prêmio Molière de Teatro Infantil  
•  Prêmio Jabuti de Literatura Infantil
•  Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte  
•  Prêmio de Poesia Odyllo Costa Filho
•  Prêmio "Altamente Recomendável" F.N.I.I.J (por várias vezes) 
•  Prêmio Mambembinho de Teatro Infantil
•  Prêmio Melhor Espetáculo de Teatro de Estudantes      
•  Prêmio Abril de Melhor Tema.
•  Lista de Honra do IBBV (Internationa! Board of Books for Young People
•  Prêmio "O Melhor para a Criança" da Fundação Nacional do Livro   infantil e Juvenil
•  Prêmio Melhor Texto do Concurso Nacional de Teatro Infantil (por duas vezes seguidas)
•  Prêmio Melhor Texto de Teatro Infantil do Ano de 1993 dado pela Associação Paulista de Críticos de
Arte (APCA).
• Prêmio Melhor texto teatral para criança dado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil 2002.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Apresentação

Em 1987, Sylvia Orthof, escritora das mais consideradas, com sua obra voltada para o universo infanto-juvenil, premiadíssima e profícua – mais de cem títulos, criou a Cia. Teatro Livro Aberto onde seus textos eram adaptados para o teatro por ela mesma, que também dirigia os espetáculos.
Sylvia coloca o jovem em contato com o lirismo, com o “mundo do faz-de-conta”, buscando fazer um resgate das referências histórico-culturais, num tempo em que a cultura voltada para crianças e jovens parecem ter perdido o sentido na batalha com os produtos culturais massificados, descartáveis.
Literatura e teatro nunca estiveram tão unidos como no trabalho desenvolvido pela Cia. Teatro Livro Aberto, pois mesmo depois a morte de Sylvia o grupo continuou mantendo viva a obra e o teatro da autora.
A companhia hoje tem direção o grande ator e diretor Fernando Vianna e viaja por todo o Brasil e, até mesmo ao exterior, levando todo humor, o lirismo, o poético e a irreverência característica da obra de Sylvia Orthof.
Atualmente o Livro Aberto está em cartaz com 06 espetáculos diferentes onde um grande elenco se reveza para dar vida aos textos de Sylvia:
- Ponto de Tecer Poesia
- Se as Coisas Fossem Mães
- Ervilina e o Princês
- A Viagem de um Barquinho
- O Cavalo Transparente
- Zé Vagão da Roda Fina e Sua Mãe Leopoldina